Todo país tem as gerações que o marcam. Na Alemanha, a geração do pós-guerra representa a reconstrução e o milagre econômico; a geração de 1968 é relacionada com o movimento estudantil, os movimentos pacifista e ambiental. E os de 1989? São de um ano especial: nascidos numa época que entrou para a História e transformou o mundo: o nascimento dessas pessoas aconteceu em 1989, o ano da “Virada” (Wende em alemão), a revolução pacífica, que pôs fim aos 40 anos da separação alemã e deitou por terra a Cortina de Ferro. Apenas em Berlim, nasceram cerca de 80 crianças na noite da Queda do Muro.
Nascido em 1989: são 880459 jovens alemães que podem afirmar isto de si. Todos cresceram numa Alemanha reunificada e não conheceram a linha divisória que cortava a Alemanha. Sabem como era a vida na RDA apenas através de narrativas da própria família ou da escola. Neste ano, as crianças da Virada completarão 20 anos, terão acabado de concluir o ginásio, começado a estudar, a se formar, procurando seu caminho na vida. Realistas, pragmáticos, conscientes do seu dever e ambiciosos: é assim que o renomado pesquisador da juventude Klaus Hurrelmann caracteriza a geração da Virada. E como as crianças de 1989 vêem a si próprias? Kim-Fabian, Jamila, Tina e Benjamin narram como vivem, o que lhes é importante, o que sabem sobre a RDA e que importância a unificação da Alemanha tem para eles.
O sem fronteiras
Nome: Kim-Fabian von Dall’Armi
Data de nascimento: 10/12/1989
Vive em Hamburgo
Para a sua geração, a fronteira foi superada – esta é a convicção de Kim-Fabian. O jovem de 19 anos, de Hamburgo, quase não pode imaginar o que seria crescer numa Alemanha dividida. O país que ele conhece é a Alemanha reunificada. E sua geração assume esta responsabilidade. Kim-Fabian conhece os novos Estados federados. Já quando era criança, ele acompanhava seu pai, jornalista, em suas viagens, o qual lhe contava muita coisa sobre os países do antigo Bloco Oriental. Ele passava suas férias com seus pais na ilha de Usedom, no Mar Báltico. “Gosto de viajar pela Alemanha oriental”, conta o aluno que está fazendo os exames de conclusão do ginásio. Seus lugares preferidos são Berlim, o Harz, a região de lagos de Meclemburgo e as cidades culturais de Weimar e Dessau. Falou muito com seus amigos de Meclemburgo-Pomerânia Ocidental sobre a RDA. Discutir, encarar temas sobre a política e a sociedade, partindo de outra perspectiva: isto é o que Kim-Fabian quer, também como produtor da revista juvenil de Hamburgo, “Blickwechsel”. “Na minha vida, tenho o desejo de dar forma às coisas”, diz o jovem de Hamburgo. Seu desejo profissional de ser arquiteto combina bem com esta atitude.
A cosmopolita
Nome: Jamila Al-Yousef
Data de nascimento: 9/11/1989
Vive em Güstrow (Meclemburgo-Pomerânia Ocidental)
Ela é uma verdadeira criança da Virada: quando Jamila nasceu, na noite de 9 de novembro de 1989, num hospital de Berlim, ruía o Muro, milhares de cidadãos da RDA corriam para os pontos de passagem, afluindo para o lado ocidental da cidade. “Para mim, o 9 de novembro é um dia todo especial e não apenas a data do meu aniversário”, diz Jamila. Hoje com 19 anos de idade, ela cresceu na pequena cidade de Güstrow, em Meclemburgo-Pomerânia Ocidental. Jamila não faz diferença entre Leste e Oeste, dizendo com muita naturalidade: “Cresci em uma só Alemanha”. Sua mãe e seu pai, um palestino que viera para a RDA na década de oitenta, lhe contaram sobre a RDA. “Meu avô foi observado pelo serviço secreto”. Ela acha deprimente que as pessoas na RDA não pudessem viajar livremente. Jamila é cosmopolita, com grande interesse por outros países e culturas. Viajou de trem pela Europa, fez um curso de verão na universidade de Amã na Jordânia, onde vive uma parte da sua família. Esteve ultimamente na América do Sul e quer agora concorrer a uma vaga de curso de “Development Studies” em Londres. “Gostaria de trabalhar depois na cooperação para o desenvolvimento”, diz a jovem que se interessa muito pela difícil relação entre Israel e Palestina. Seu sonho: reunir, no Oriente Médio, jovens de ambos os países num projeto pacífico através da música – uma de suas grandes paixões.
A futura repórter
Nome: Tina Oerlecke
Data de nascimento: 30/6/1989
Vive em Haldensleben (Saxônia-Anhalt)
Tina encontrou seu próprio caminho para tratar do passado da RDA: a jovem de 19 anos, da Saxônia-Anhalt, concluiu o ginásio com um trabalho final em História, tendo nas aulas se ocupado mais a fundo com a construção do Muro em 1961. Além disso, como jovem jornalista, ela escreve, desde fins de 2008, para o projeto “Reporter ’89”, da “Stiftung demokratische Jugend”, de Berlim. A idéia: jovens pesquisam sobre temas ou fazem entrevistas sobre a história da RDA e da Queda do Muro, escrevendo então suas reportagens. Para seu primeiro artigo, Tina entrevistou uma mulher que vivera na RDA, perguntando-lhe como ela tinha vivido o Muro. “História é para mim empolgante e escrever sobre história é muito interessante”, diz a jovem que gosta de ler, tocar piano e que já há alguns meses estuda Jornalismo e Gerenciamento de Mídia, em Magdeburg. Para crianças da Virada, que nasceram em 1989, como ela própria, a RDA ainda estaria presente através de narrações dos pais, diz Tina. Sua geração seria algo especial entre o que a RDA teria sido antigamente e o que é hoje a Alemanha unificada. Mas para mim não há nenhuma divisão entre Leste e Oeste. “Muitas possibilidades estão abertas para mim na Alemanha reunificada”. Em 2009, Tina continuará trabalhando como repórter do projeto juvenil, pretendendo sobretudo pesquisar mais a fundo uma questão: Como o Estado na RDA se comportou frente às pessoas que se opuseram ao regime?
O realista
Nome: Benjamin Bühring
Data de nascimento: 11/9/1989
Vive em Treuen (Saxônia)
“Sou muito ligado à minha terra natal e gosto de viver aqui”. A terra natal de Benjamin é a região de Vogtland, no sudoeste da Saxônia. O jovem de 19 anos cresceu na cidade de Treuen, com 8000 habitantes. Nesta região, ele concluiu a escola média (Realschule), começando, há três anos, o aprendizado de impressor numa empresa da região. “A confirmação de que eu conseguira uma vaga de formação foi para mim realmente uma ótima notícia”, diz Benjamin, que, após concluir seu aprendizado, gostaria de continuar na empresa. Ele também frequenta a Escola Profissional de Dresden, preparando-se assim para seu exame final em maio. Suas aulas nessa escola despertaram nele o interesse pela vida e o dia-a-dia na RDA, pois o que a RDA tinha sido, ele só sabe através de poucas descrições de seus pais. Ele próprio diz que se sente totalmente como uma criança do Oeste, tendo crescido bem “normalmente”. Como todos os jovens na sua idade, ele gosta de jogos no computador ou de bate-papos na internet. Ao lado disto, ele adora a técnica, desenha, lê também os clássicos da filosofia, desde Nietzsche até Schopenhauer, e mostra interesse por cidades. Uma de suas preferidas fica no seu Estado natal: ele é apaixonado por Dresden e sua arquitetura.












