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“A geração jovem vê a Virada positivamente”

Entrevista com Martina Gille

Nesta entrevista, a pesquisadora da juventude Martina Gille fala sobre a concepção de vida dos jovens na Alemanha oriental e ocidental, descrevendo como a geração jovem julga a Virada de 1989/90

Senhora Gille, desde o começo dos anos noventa, a senhora vem entrevistando jovens alemães de 16 a 29 anos, do Leste e do Oeste, sobre seus planos de vida e sua orientação de valores. Quais foram suas constatações?

Constatamos que as concepções de vida dos adolescentes e jovens adultos são muito semelhantes em toda a Alemanha. Pode-se reconhecer uma aproximação entre a Alemanha Ocidental e Oriental, sobretudo no que diz respeito à orientação de valores e ao plano de vida. Por exemplo, o comportamento de formação nos cinco novos Estados federados transformou-se: o nível de formação cresceu. Agora há muito mais ­jovens que concluem o ginásio do que nos tempos da RDA. Antes, na RDA, os jovens se tornavam pais muito mais cedo. Hoje, para muitos, em primeiro plano está a formação, depois a constituição de uma família.

Como é a posição política?

Nossas pesquisas mostraram que os jovens de 16 a 29 anos pensam de maneira diferente nos novos e antigos Estados, com relação à sua orientação política e na avaliação do sistema político. Os jovens nos novos Estados federados mantêm uma distância maior quanto ao sistema político, sendo mais críticos frente à política.

Como a senhora explica essa diferença?

Crianças e jovens são socializados através dos pais, da escola e de outras instituições sociais. Neste ponto há diferenças entre os antigos e os novos Estados federados, por exemplo, as condições econômicas básicas. Nos novos Estados federados, as vagas de formação são mais raras, e o desemprego dos pais é mais frequente. Estas são experiências que fazem com que os jovens julguem o sistema social de outra maneira.

À Queda do Muro em 1989 seguiu-se um ano depois a ­reunificação. Como a geração jovem julga a unidade?

A Virada é vista positivamente. Para os jovens nos novos ­Estados federados, a enorme vantagem da unidade alemã está sobretudo na liberdade ganha, principalmente na possibilidade de viajar livremente.

Como os jovens no Leste e no Oeste se identificam com a Alemanha reunificada?

Podemos observar que a identificação com a própria parte da Alemanha é mais forte nos novos Estados federados do que nos antigos. Fato é que a totalidade da Alemanha prepondera e que a Alemanha é vista como um todo, como um Estado comum. Além disso, creio que hoje muitos jovens não pensam mais nas categorias “alemão oriental” e “alemão ocidental”.

Martina Gille é socióloga e cientista no ­Instituto Alemão da Juventude (DJI) em Munique

13.03.09
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