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A Academia de Cinema Baden-Württemberg

Estudo com diploma para filmar

A Academia de Cinema Baden-Württemberg é uma das seis faculdades de cinema na Alemanha e é considerada uma fábrica de talentos para jovens cineastas. Um retrato

Oliver Sefrin, foto de Jan Greune

Nesta faculdade é permitido sonhar e inventar histórias. E se tudo andar perfeitamente, as duas coisas tornam-se realidade, no mínimo para a tela do cinema. 71638 Ludwigsburg: isto não soa como se Hollywood estivesse ali na esquina. Mesmo assim, o último Oscar Estudantil foi conferido, em 2007, a um jovem cineasta de Ludwigsburg. Tais distinções motivam, também Martin Busker. Primeira câmera com onze anos, rodagem de curtas-metragens nas férias de verão, formação como des­igner de mídia em imagem e som, assistente do famoso cineasta alemão Rosa von Praunheim. E agora, estudante de Direção na Academia de Cinema, pouco antes do diploma. “Nunca acreditei ser capaz de fazer direção, pois antes de tudo sou um técnico que sabe lidar com a câmera e o corte”. Mas com seus curtas-metragens “Herz­Haft” e “Höllenritt”, ele dá provas do contrário. Ambos os filmes serão mostrados na televisão alemã em 2009. “Höllenritt” poderá já ser visto em fevereiro na Berlinale. É grande cinema! O tapete vermelho já está esperando.

Até lá, o estudante de 28 anos já estará enfrentando o próximo desafio: Martin Busker está trabalhando com dois colegas, um autor de roteiros e uma produtora, para fazer sua estréia de um filme de 90 minutos. Nunca fiz um filme tão longo, trabalhoso e caro, diz Busker, mostrando respeito. Mas, através da sua formação, ele se sente bem preparado, pois, quanto ao estudo em Ludwigsburg, não se trata só de sonhos, mas sobretudo de sólido conhecimento e trabalho árduo para enfrentar a forte concorrência no negócio de cinema.

“Estudei Cinema em Ludwigsburg” – talvez se tenha rido em 1991 dos primeiros 25 estudantes da Academia de Cinema que proferiram essa frase. Até então, o estudo de Cinema era reservado apenas às grandes faculdades de cinema de Berlim, Potsdam ou Munique, mas não a uma modesta capital de distrito sueva perto de Stuttgart, que muitas pessoas tinham de procurar no mapa. Quase 18 anos depois, a Academia de Cinema está por adquirir a maioridade, tornando-se um dos melhores endereços da formação cinematográfica na Alemanha. Ela conseguiu renome internacional, seus estudantes ganham regularmente prêmios nos festivais e ficam conhecendo, em um workshop em Los Angeles, a fábrica de sonhos de Hollywood. Ludwigsburg, província do cinema? Isso já era!

Nos prédios de tijolos marrom-vermelhos de uma antiga caserna, 450 futuros profissionais do cinema freqüentam hoje um dos 14 cursos, o mundo inteiro do cinema: Direção, Roteiro, Produção, Câmera, Trilha Sonora, Animação, entre outros. O campus oferece tudo o que se precisa para fazer cinema: estúdios, oficina de cenários, escritório de casting e depósito técnico. Há até mesmo um cinema próprio. E o bar dos estudantes se chama “Blauer Engel” (Anjo Azul), como o filme clássico estrelado por Marlene Dietrich. Andando pelos prédios da faculdade, vêem-se inúmeros cartazes de cinema de produção própria, encontram-se estudantes com a câmera manual ou um grupo de estudantes trabalhando nos cenários para a próxima rodagem. O pátio transforma-se freqüentemente em um pequeno set de filmagem, no qual os estudantes praticam com a câmera numa grua.

“Quanto à nossa formação, somos muito orientados na prática. Trabalhamos com mais de 300 docentes dos ramos do cinema e da mídia, produzindo cerca de 200 filmes por ano – mais do que outras faculdades”, diz o diretor Prof. Thomas Schadt. É um programa de formação muito procurado: há de 800 a 900 candidatos por ano para estudar na Academia, mas apenas cerca de 100 são admitidos. Schadt: “Para fazer cinema são necessárias muitas qualidades, entre elas, seguramente, a capacidade de se impor, de inventar e trabalhar em grupo e a paciência. E a coragem de ser subjetivo e o desejo de desenvolver o próprio caráter”.

E sem talento também não se consegue nada. Daniela D. König, 30 anos, estudante de Roteiro, pode narrar estórias emocionantes com caracteres interessantes e gosta de escrever, o que ela, de uma família dedicada ao cinema, já demonstrou no vestibular. “Entreguei o esboço do roteiro de uma furiosa história de mistério. Pensei que a Academia me chamaria de biruta”. Mas seu gênio inventivo foi premiado com um lugar de estudos. Nos seus primeiros dois anos de estudo básico, Daniela König, como todos os estudantes, teve de fazer um programa interdisciplinar: freqüentou aulas expositivas sobre a história e o direito do cinema, praticou direção, aprendeu a lidar com a câmera ou a rodar clips de vídeo. No momento, ela está dando os últimos retoques no seu exame prático final – projeto e roteiro para um seriado de tevê. Desta vez não é história de mistério, mas comédia.

O herói Batman como boneca de borracha, e Darth Vader, o vilão da ficção como camarada de papelão: bem-vindo ao mundo do cinema do desenho animado e dos efeitos especiais no Instituto de Animação, Efeitos Visuais e Pós-Produção Digital. Através do seu know-how, este instituto já ajudou o grande cineasta Roland Emmerich na produção do seu blockbuster de Hollywood “Independence Day”, merecendo o Oscar pelo melhor “Visual Effects”. Aqui, os estudantes adoram computadores potentes, software de animação perfeito e, naturalmente, filmes – como Peter Hacker, 24 anos: “Legal no estúdio de animação é que você pode brincar muito”, diz o fã de “Guerra nas estrelas” e “Indiana Jones”. “Gosto de filmes que impressionam visualmente, que são aplaudidos com entusiasmo, daquilo mesmo que é cool e ganha prêmios”.

Martin Busker, estudante de Direção, não pensa em prêmios, mas em longas discussões no seu apartamento de estudante, quando se trata do seu próximo e ambicioso projeto de filme. Até o começo da rodagem, no início de 2010, o enredo exato tem de estar pronto, o financiamento assegurado e o pessoal para o filme completo, inclusive atores e locais de rodagem. Muito trabalho ainda para Busker, mas este futuro diretor está firme na sua decisão. Seu sonho de rodar o primeiro filme deverá tornar-se realidade – o melhor possível em uma grande tela de cinema.

11.11.2008
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